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domingo, 31 de julho de 2011

Capitulo 19: A Derrota de Raios Estáticos




Capitulo 19: A derrota de Raios Estáticos

William Humphrey não acreditava no que seus olhos observavam. Uma luz violeta se chocando contra o vento e ocasionando uma explosão que o fez tremer até a espinha. Dois seres poderosos se encarando apesar do cansaço. Um com olhos cheios de ódio e um sorriso sarcástico. Outro com a face coberta por uma máscara de carnaval verde, praticamente de joelhos e com faíscas roxas brotando de seu ombro. Nunca tinha se importado com a violência da cidade de San Cristo, mas quando esta bate a sua porta as suas perspectivas mudam abruptamente. Agora, no terceiro andar de seu apartamento com um copo de cerveja caindo de suas mãos temia por sua vida.
Tornado sentia suas forças se esvaírem, pois seu último esforço em proteger o bandido Charles Jones da maldade de Raios Estáticos o enfraqueceu. Enquanto isso, o vilão mesmo cansado queria cumprir sua missão. Charles Jones ainda assustado procurava uma esquina onde pudesse se enfiar. O mendigo Crosby ao lado de uma dona de casa chamada Dora observavam a luta com apreensão. William ficou pasmo com a quantidade de viaturas que se dirigiam ao local e de cima podia vê-las se aproximando.
-Parece que nossa luta será interrompida Tornado. -disse Raios Estáticos.
-Não será. Te derrotarei antes deles chegarem. -disse Tornado apertando um braço com a mão, pois as faíscas queriam derruba-lo.
-Acho que a minha Onda Estática Convulsiva está fazendo efeito. Seu corpo irá ficar paralisado e como irá proteger esses civis tolos. Posso começar matando a mãe e o menino que você tanto queria salvar. -comentou Raios Estáticos dando alguns passos em direção ao herói.
-Não permitirei... Que isso aconteça. -disse Tornado fraquejando nas reticências.
-Apenas me faça um favor: Morra! -gritou Raios Estáticos lançando uma onda de esferas violetas sobre Tornado. O herói esquivou com um salto e uma cambalhota em pleno ar, caindo próximo ao vilão e o golpeando com uma sequência de chutes no rosto. Raios Estáticos tateou, recuperou o equiíbrio, então passou uma rasteira em Tornado. Dora levou as mãos a boca. William aproximou-se da janela. Tornado ergueu-se flexionando suas pernas para baixo e voltando a ficar em pé. Raios Estáticos soltou um chute lateral acertando as costelas do herói que rodopiou. Crosby pensou em ajudar o herói, mas sentiu medo. Charles Jones levantou-se e começou a correr. Tornado e Raios Estáticos trocavam socos e pontapés, procurando brechas para derrubar rapidamente seu adversário. Os dois se mantinham focados em suas defesas, por isso não deixavam aberturas. Raios Estáticos conseguiu um soco direto no peito do herói, porém Tornado acertou um chute na banda direita do rosto do vilão. Eleonora abraçada a Alex não tinha forças para falar, pois ficou entre amedrontada e admirada pela coragem do Tornado.
As sirenes da policia se apresentavam cada vez mais perto. Raios Estáticos empurrou Tornado e saltou para janela de um prédio. Tornado o seguiu e os dois voltaram a trocar socos. Crosby suspirou ao ver Tornado receber um soco no estômago. Dora sorriu ao ver Raios Estáticos receber um gancho de direita e rodopiar no ar antes de recuperar o equilíbrio em cima de um poste. Os carros chegaram e os policiais apontaram suas armas para as duas criaturas em cima do poste. Um dos oficiais gritou:
-Raios Estáticos você está preso!
-Cale-se policial idiota. Me deixe terminar com este bastardo aqui que depois pegarei vocês. Não se apressem em morrer. -comentou Raios Estáticos fazendo os policiais estremecerem.
-O que estão fazendo policiais? Eles são aberrações! -gritou uma mulher numa janela abaixo da de William.
-Ei vadia?! Quem é a aberração? -disse Raios Estáticos defendendo um chute lateral de Tornado e depois um soco que acertaria seu pescoço.
-Tornado jogue-o no chão que iremos prendê-lo! -disse um policial.
-A polícia precisando da ajuda de um renegado. Nossa! Onde o mundo foi parar! -comentou uma senhora curiosa numa esquina próxima.
William não estava gostando dos protestos diante do esforço do herói em parar o vilão, mas temia que algo pudesse acontecer consigo caso protegesse um renegado como o herói Tornado. Raios Estáticos lançou uma esfera violeta que o herói desviou criando uma rajada de vento. No entanto a esfera acertou um muro que desabou em uma pilha de entulhos revelando uma casa onde um casal se beijava loucamente. Alguns policiais ficaram distraídos com a sacanagem que ocorria. William se surpreendeu ao ver o casal semi-nu, mas voltou os olhos para batalha. Tornado com uma rajada empurrou Raios Estáticos para o chão, mas este com um salto caiu em pé e irritado por ser desviado do seu lugar. Um policial com um cassetete em punho atacou o vilão. Raios Estáticos pegou seu braço e socou duas vezes suas costelas e depois o rosto. O policial desmaiou enquanto Tornado caía sobre Raios Estáticos. Tornado prendeu suas mãos, mas esqueceu de prender os pés, por isso o vilão o jogou para o lado com uma joelhada. Raios Estáticos teve de repelir uma saraivada de tiros que vieram em sua direção, sendo que para isso se moveu rapidamente utilizando sua agilidade fora do comum. Tornado para não ser atingido fez o mesmo rolando pelo asfalto e levantando-se apenas próximo de um hidrante. Crosby empurrou Dora para uma marquise. Eleonora ergueu uma mesa e colocou Alex protegido por ela. William sentiu que estava vendo um filme faltando apenas uma música de ação.
Raios Estáticos aproximou-se dos policiais e lançou duas rajadas: Uma das rajadas explodiu uma das viaturas derrubando quatro policias com o impacto. A outra acertou um policial que desorientado acertou um tiro numa colega, mas felizmente a bala acertou o ombro. Tornado sabia que os policias não teriam a menor chance, por isso fechou os olhos com a distração do vilão procurando concentração para mover uma maior quantidade de ar. William ficou apreensivo com o fim da batalha e deixou seu copo de vidro cair ao ver Raios Estáticos erguendo um policial com apenas uma mão e o lançando sobre outro. Um policial tentou um ataque pelas costas, mas seu medo fez as balas passarem distante. Raios Estáticos lançou uma esfera de energia que fez o homem ir parar a metros do local. Tornado chamou a atenção do vilão com um assobio, então gritou:
-Tornado Espiral!
Das mãos do herói surgiu uma ventania que rapidamente tomou conta da rua. Crosby abraçou Dora para protegê-la. Eleonora com olhos tímidos observou o ar em sua sala ficar mais rarefeito. William com sua visão privilegiada notou que um bolsão de ar apareceu nas mãos do herói e voou para Raios Estáticos. O vilão foi erguido aos céus podendo ver estrelas em seu caminho. Os policiais correram para ajudar seus feridos enquanto Raios Estáticos voltava de sua viagem caindo lentamente sobre uma pilha de entulhos. O som do impacto alarmou a todos na rua, até mesmo Tornado que disse:
-Essa deve ter doído!
Os policiais correram para prender Raios Estáticos torcendo que isto o tenha pelo menos colocado para dormir. Tornado parou os homens com um grito e um aceno de mão:
-Não se aproximem! Chamem a Força de Segurança! Ele é demais para vocês.
Os policiais nem quiseram discutir. O oficial chamou a Força de Segurança depois de contatar a central. Um policial aproximou-se de Tornado e disse:
-É melhor você ir embora. A Força de Segurança prenderá qualquer um que não seja humano. E como nos ajudou acho que devemos uma, por isso corra!
Tornado aproveitou e saltou sobre um prédio dando a William uma visão animalesca, pois o herói pareceu um macaco. Tornado escalou o prédio de quatro andares e sumiu por seu teto. William viu os policiais começando a cuidar dos presentes e feridos, mas deixaram um deles escapar, este foi o bandido Charles Jones que se ficasse seria preso por diversos crimes.
Charles Jones entrou na esquina mais escura que encontrou enquanto ouvia a chegada dos helicopteros da Força de Segurança. Preocupou-se com a idéia de que o Tornado o estaria seguindo, mas duas pessoas o observavam com facilidade. Uma era o jovem William Humphrey e sua curiosidade com os acontecimentos. Outro, era um ser sinistro escondido na escuridão que o bandido tanto usava para se ocultar. Charles só descansou sua corrida após atravessar dois quarteirões e sentir uma segurança. Porém, seus sentidos o enganaram. Um homem num sobretudo preto o pegou pelo pescoço e o encostou na parede. Charles temeu por sua vida, enquanto o homem disse calmamente:
-Não fez o serviço que eu pedi, por isso terá de pagar!
-Mas eu sequestrei a menina! Eu quase...
-Não existe quase para mim. Você falhou comigo como falhou com os Patrick. É uma criatura que merece morrer, mas farei outra coisa...
-O quê?! -disse Charles Jones quase chorando de medo.
-Já que não consegue pegar nada. Acho que não precisa de seus braços! -disse o homem puxando os braços de Jones de sua carne. O sangue inundou a esquina escura e só a Lua mostrava os horrores de uma maldade cruel.
Jones perdeu seus braços levados pelo misterioso homem, então gritou com a morte que se aproximava. Deitou-se no asfalto frio esperando a morte e relembrando todas as maldades que já fizera na vida. Sentiu sua vida desaparecer no sangue que escorria. Passos calmos chegaram a si e uma voz divertida chamou-lhe atenção:
-Quer viver cara?! Tenho a solução! É só se entregar de corpo e alma!
-Ahn! -disse Jones sem forças para responder, mas acenando com a cabeça querendo viver.
O homem carregou Jones que não reconheceu seu salvador, mas pensou lá no fundo que não importava quem era e que só queria viver. Jones estava prestes a desmaiar quando viu uma porca rolar pelo chão e encostar perto de um bueiro. Finalmente adentrou completamente a escuridão que desejara.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Capitulo 18: Uma nova razão para viver



Capitulo 18: Uma nova razão para viver

Eleonora Wings está sentada observando seu filho especial quando exclama para o vento:
-Que droga de vida!
Eleonora é uma mulher batalhadora que passou anos cuidando de seu filho que possui retartado mental, onde apesar de ter 20 anos em idade física, apresenta um intelecto de uma criança de 6 anos. Eleonora pensou no passado quando tinha um marido maravilhoso que sempre a levava para dançar nas boates da cidade. Ele, um oficial da Marinha e ela apenas uma estudante. O namoro foi tão simples e gentil, existia pureza e inocência, tanto que ele demorou muito tempo para poder beija-la. A cidade era protegida por heróis que vagueavam pelas ruas pelo dia e pela noite e os bandidos e vilões se escondiam, mas ao olhar o telejornal que passa na televisão à frente, ela procurou imaginar como as coisas mudaram tanto. Seus pensamentos voaram, “Como eu pude ser tão feliz e agora... Agora só tenho um filho que não irá poder cuidar de mim em minha velhice. E quem cuidará dele quando eu morrer? Pobre Alex! Tão tímido e medroso. Dificilmente se acostumaria com uma mãe nova”.
Eleonora interrompeu seus devaneios para observar seu menino brincando com um carrinho vermelho e lembrou de um doce momento em sua vida, quando seu marido dirigia um carro de mesma cor e a levou para um piquenique no parque. Lembrou de seu toque em seus cabelos, atrás da nuca onde se encolhia como uma gatinha, a forma como a olhava como se tivesse toda a compreensão do seu ser. Eleonora sempre soube que não encontraria homem igual. Quando sua criança nasceu, ele lhe deu as forças que precisava para encarar o problema de frente. Mesmo com o trabalho árduo na Marinha não a abandonava, mas quando teve de abandonar foi definitivamente, pois o perdeu num acidente de carro, o mesmo carro vermelho das alegrias que agora repousava em miniatura nas mãos de seu filho. Alex deixou o carrinho e Eleonora abandonou as lembranças para se erguer do sofá e olhar a foto do marido sorrindo no parque emoldurada na parede da sala. Alex murmurou algo incompreensível e nesse grunhido distante sua mãe o acompanhou num lamento profundo que se tornou choro. Eleonora observou o filho e sentiu vontade de não tê-lo ou de abandona-lo, queria que seu marido estivesse de volta e que pudessem sair para dançar e se divertir como faziam. Era uma vida feliz que se tornou uma triste dependência e agora se via abalada pelo ressentimento e pelo medo de não conseguir mais a felicidade. Em seus devaneios não percebeu a briga que ocorria do lado de fora de sua casa e tomou um susto ao ver um homem de roupa verde atravessando a parede da sala e aparecendo próximo de seu assustado Alex. Eleonora demorou para reagir e apontou o homem de verde com espanto. Tornado virou para mulher mostrando sua máscara de carnaval que protegia sua identidade.
-Quem é você? O que está fazendo aqui? -disse Eleonora.
-Eu sou o Tornado! Por favor, preciso que saia daqui... -disse o herói interrompido pelo aparecimento do vilão Raios Estáticos que o encarava ainda do lado de fora. Tornado foi lento para desviar de uma rajada de discos energéticos na cor violeta que o acertaram no peito o levando para área da cozinha. Eleonora soltou um grito e Alex chorou de medo. Raios Estáticos adentrou a residência pelo buraco que ele mesmo criou, puxou o cabelo de Alex enquanto este aumentava o volume de seus gritos e virou para mãe desesperada.
-Você é a mãe desse lixo?! Não seria melhor que eu eliminasse esse fardo para você?
Eleonora ficou paralisada pelas palavras do homem, pois era exatamente o que pensava um pouco antes de sua entrada. Não sabia o quão certo ou errado era deixar o homem matar seu filho e se isso a faria realmente feliz. Uma confusão de sentimentos e pensamentos povoaram a mente da mãe que começou a chorar com a terrível indecisão. Tornado levantando com dificuldade, tendo faíscas arroxeadas brotando de seu ombro e de uma perna disse:
-Raios Estáticos eu me rendo, mas não machuque o garoto!
-Por favor Tornado! Não está em condições de pedir ou exigir nada. E irei apenas fazer um favor a essa mulher. Não vê que o garoto é um lixo?! -disse Raios Estáticos mostrando um sorriso tenebroso. Tornado ergueu seu punho buscando concentrar o ar ao redor enquanto o vilão pronunciava suas maldições. Eleonora ajoelhou-se chorando e disse:
-Por favor moço!... Não mate meu menino! É tudo que eu tenho... É tudo que me sobrou... É minha única felicidade!
-Mesmo essa criatura sendo um lixo! É difícil entender a paixão que algumas pessoas tem pelos fracos. -disse Raios Estáticos erguendo Alex pelo pescoço o colocando frente a luz do lustre da sala. Tornado gritou:
-Punho do Vento!
Raios Estáticos foi atingido no peito por uma massa de ar carregada pelo Tornado e foi lançado de volta pelo buraco que abrira. Eleonora ergueu-se com a velocidade de um herói e abraçou Alex antes que ele caísse ao chão. Tornado aproximou-se da mãe e do filho e praticamente sussurrou:
-Bom trabalho! Continue cuidando de seu filho com esse mesmo amor que demonstrou.
Eleonora observou o herói tão alto em frente a luz do lustre quase parecia um anjo de verde e isso a fez lembrar do sorriso de seu marido, então abaixou a vista para notar que seu filho em seu torto sorriso lembrava o homem que sempre amou. Tornado tocou o ombro de Eleonora e voltou para rua para encarar o vilão.
-Belo golpe Tornado! Mas a luta ainda não acabou. -comentou Raios Estáticos limpando a sujeira acumulada na roupa. Tornado observou que o mendigo chamado Crosby e uma dona de casa chamada Dora estavam muito próximos do vilão e imaginou que eles poderiam ser pegos no fogo cruzado, por isso esperou Raios Estáticos se mover. O vilão pareceu perceber o plano do herói e continuou parado esperando um ataque, então virou-se rapidamente para ver que Charles Jones corria desesperado para uma esquina. Tornado sabia que o vilão estava ali apenas para punir Charles e essa chance voltou a surgir. Crosby puxou Dora para perto de si, pois Raios Estáticos passou como uma locomotiva pelos dois. Tornado lançou uma rajada de vento lateral da palma de sua mão direita, mas passou distante de Raios Estáticos. Com olhos miúdos e cheios de lágrimas, Eleonora observava a luta de dentro de casa e ainda abraçada a Alex.
-Não vai fugir seu verme! -gritou Raios Estáticos para Charles que ficou paralisado de medo. -É hora de morrer! Tome isto! -disse o vilão enviando uma onda de discos energéticos na cor violeta. Tornado apareceu à frente e criou uma massa de ar para colidir com o ataque do vilão o interrompendo no caminho. Raios Estáticos bufou de raiva enquanto via Charles Jones sorrir aliviado. Crosby e Dora respiraram fundo, mas se atemorizaram ao ver as faíscas que brotavam no ombro do herói. Tornado acabou ajoelhando com a dor. Raios Estáticos viu a guarda aberta e lançou outra onda de discos energéticos que acertaram todo o corpo do herói o jogando contra um muro ao longe depois de navegar pelos ares por alguns milésimos de segundo. Da parede danificada caíram dezenas de tijolos e massa de cimento sobre o herói que pareceu desmaiar com a força do ataque.
-Sua vez Charles Jones! Não fuja de mim! -disse Raios Estáticos caminhando lentamente para o paralisado bandido da família Patrick. Crosby deixou Dora e correu para averiguar se Tornado vivia. Eleonora observou a preocupação e o espanto nos olhos de Dora. Raios Estáticos apertou o punho, deixou a energia violeta crescer em seu braço e a levou para o punho, então gritou a plenos pulmões:
-Bombardeio Violeta!
Uma chuva de esferas roxas saíram dos punhos do vilão e voaram em direção de Charles Jones que cobria o rosto com a morte certa. Crosby parou no meio do caminho maravilhado pelas luzes do golpe. Dora levou as mãos a boca preocupada com o destino da batalha. Eleonora continuava a apertar Alex contra si, mas seus olhos observavam a luz violeta. Alex sem entender nada também estava maravilhado, até mais que Crosby pelo ataque do vilão. Tornado saiu dos escombros de entulhos do muro que destruiu parcialmente e lançou uma rajada de vento com as duas mãos espalmadas para frente e os braços esticados o máximo que pôde, então a brisa conseguiu apenas desviar o Bombardeio Violeta que atingiu o asfalto provocando uma explosão. Tornado ajoelhou enfraquecido, enquanto Raios Estáticos também cansado respirava com dificuldade. Dora aproximou-se de Crosby e o acordou de sua letargia. Eleonora observou que numa esquina se escondiam mais alguns curiosos interessados na batalha. Tornado ouviu sirenes de polícia ao longe e ergueu-se com um pensamento “Não posso me dar por vencido. É a chance que tenho de coloca-lo atrás das grades. Pagará por sua crueldade!”. Então observou Eleonora que praticamente não deixava Alex respirar de tanto amor e proteção.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Capitulo 17: Me dê esperança



Capitulo 17: Me dê esperança!

Dora Fontanie lava os pratos em sua casa de cortiço no Terceiro Distrito da cidade de San Cristo. Seus filhos Peter e Joe estão brincando de carrinho na sala e ao mesmo tempo assistem televisão. Dora estava apreensiva com a demora do marido, mas em seu íntimo já imaginara por onde ele estava e até com quem estava. Seu corpo demonstrava suas irritações profundas através do exaustivo suor que escorria de sua alva pele, para limpa-lo utilizou suas mãos cobertas pela luva de cozinha e assim liberou o coque que prendia seus longos cabelos pretos lisos. Dora já sentiu orgulho de ter cabelos tão bem cuidados, em uma época onde o marido era um romântico apaixonado, que lhe fazia serenatas à porta, lhe enviava flores com cartão quase todos os dias e sempre dizia que a amaria para sempre. Isso tudo mudou com o tempo e agora só conseguia ver o marido pela noite, normalmente com o cheiro de uma mulher da rua o infestando com perfumes baratos e o fedor da cachaça que ardia em seus lábios. Dora pensava em largar tudo, a casa, o marido, os filhos e voltar a viver um novo romance, mas sempre voltava a questão que uma mulher não podia abandonar seus filhos, portanto, sofria calada as traições do marido que chegava a ficar dias fora e quando voltava sua explicação se resumia “Tive que fazer uma reunião na empresa, sabe como é né!”. Dora queria mostrar a ele como ela sabia de tudo, queria fazê-lo sentir toda a dor que ela estava sentindo, fazê-lo pagar pelos anos de sofrimento, abandono de lar e solidão, mas tinha as crianças que ela não podia abandonar e elas simplesmente adoravam o pai.
A porta da frente da casa se alargou, Peter e Joe correram com um largo sorriso em seus rostos infantis de apenas, 7 e 10 anos de idade respectivamente. O pai, um funcionário de uma empresa multinacional localizada no Segundo Distrito da cidade vinha todo perfumado da rua e muito animado como se o atraso para o jantar não o incomodasse nem um pouco. Peter perguntou ao pai se ele trouxera presentes. Joe pediu o seu quase que imediatamente. O pai puxou um carrinho de bombeiro da sacola e avisou aos dois que eles teriam de dividir o presente, o que desagradou a ambos. Dora chegou à sala com a face vermelha de raiva. O pai abriu um largo sorriso de boas-vindas e caminhou com a intenção de abraça-la como anteriormente fazia, antes de ter as crianças e de se casarem. Dora gritou:
-Como você tem a coragem de chegar esse horário e me mostrar essa cara lavada!
-Calma Dora! Você está se preocupando a toa...
-Eu!... Eu me preocupando a toa! Você passa a vida toda me colocando chifres e eu fico aqui apenas chorando a sua ausência!
-Eu não fiz nada disso. Por que me acusas tanto amor?! -perguntou o marido procurando conforta-la.
-Você é um canalha!... Não! É o pior dos canalhas! Nem as crianças você respeita...
-Peraí mulher! Não fale besteira! Eu adoro meus pequenos.
-E a mim? A mim você ainda ama? -disse Dora entre lágrimas fervilhantes que poderiam junto a seu suor se tornar um rio.
-É claro que amo querida. -disse o marido sem hesitar, mas mostrando um sorriso sarcástico.
-Você não presta! Eu tenho de sair daqui, eu preciso... -disse Dora correndo para o quarto, mas o marido ficou à frente tentando impedi-la e localizando seu olhar para amansa-la. Dora não queria ser detida, não desta vez, porque sabia que seu marido a controlaria caso terminassem na cama. Peter e Joe brincavam no chão ignorando as altas vozes dos pais. Dora gostava desse ar desligado das crianças, pois assim podia gritar mais e do fundo do coração. O marido segurou seus braços, Dora se sentiu impotente ante a força do homem, o marido aproximou seu rosto do de Dora que balançou o rosto rapidamente tentando escapar. O homem disse:
-Você tem de entender amor. Que você é a única... Que amo!
-Não! -gritou Dora empurrando o marido ao chão buscando forças de locais que nem podia imaginar, mas estando finalmente livre de seu controle, então correu para o guarda-roupa, jogou o avental e a roupa de dona-de-casa na cama, pegou roupas para sair como um vestido preto e um casaco. O marido ergueu-se e gritou:
-Pra onde você pensa que vai?! Ainda mais assim!
-Vou sair como você faz! Quem sabe eu não me divirto um pouco...
-Está querendo me desafiar mulher! Você não sustenta essa casa e nem as crianças, você apenas cuida da casa como toda boa mulher sabe e deve fazer.
-E você é um porco! -gritou Dora empurrando o marido e correndo para porta da frente, porém, parou diante da maçaneta e olhou Peter e Joe tão animados com o brinquedo novo trazido pelo pai. Peter a olhou calmamente com seus olhos verdes sempre brilhantes e perguntou:
-Por que ta chorando mãe?
-Preciso ir meus queridos, mas volto logo. -disse Dora indo abraçar as crianças, mas foi impedida pelo marido que a derrubou com um empurrão.
-Não vai me abandonar aqui assim! Não é o que uma mulher direita tem de fazer.
-E o que uma mulher direita tem de fazer Carlos? Sofrer e sofrer enquanto seu marido só a trata como lixo! -gritou Dora abrindo a porta e ganhando o mundo. O marido socou a porta violentamente por alguns segundos, caminhou para cozinha e procurou sua janta, então pensou “Ela deve estar de TPM, logo ela volta, sei que jamais abandonaria as crianças, mas quando voltar, ela vai implorar meu perdão. Ah se vai!”.

Dora chegou ao Quarto Distrito após pegar um táxi, queria ir a um local deserto e desaparecer. Sentia que nada mais fazia muito sentido, enquanto as imagens de sua vida caminhavam em sua mente. Seu namorado, o único que teve, tão romântico e apaixonado se tornou seu marido, um homem que só a traí e a maltrata dia e a noite com a ausência e o esquecimento, principalmente, depois que conseguiu uma promoção em seu emprego. Dora chutou uma latinha de refrigerante que estava em seu caminho e esta correu para uma esquina. Notou que a rua estava muito mais vazia do que se lembrava de caminhadas em sua infância, porque nasceu, cresceu e viveu uma parte de sua vida na área mais podre da cidade, que todos conheciam como o Quarto Distrito. Dora foi para esquina da latinha e encontrou um mendigo encostado á parede e inquieto como se tivesse a temer a morte. Dora aproximou-se e antes de conseguir falar com ele, uma explosão afetou a rua á frente e Tornado saiu da fumaça como uma cambalhota. Raios Estáticos com a mão direita explodindo de emoção com seu colorido violeta tentava golpear o herói. Tornado escapou de um golpe que Dora acreditava ser impossível, pois o vilão encostou o herói num muro, mas o último agachou e rolou para o lado. Dora puxou o mendigo para si e perguntou:
-O que está acontecendo?
-Não viu não moça! O Tornado ta protegendo a gente do Raios Estáticos. Sempre quis ver uma luta assim de perto. É incrível né?! -disse o mendigo chamado Crosby.
Dora odiou sentir o fedor de cachaça no homem, porque lembrou vagamente seu marido , mas ao ver Tornado escapar de mais um ataque de raios violeta do Raios Estáticos acabou esquecendo de tudo. Dora pensou “É assim que posso esquecer a minha dor! Eu nunca tinha prestado muita atenção nesses heróis, mas...” O pensamento da dona-de-casa foi interrompido pela ação de Tornado em salvar um velhinho de uma das esferas do Raios Estáticos. O vilão gritou:
-Se continuar salvando esses vermes vai acabar morto!
-O único verme que vejo nessa rua é você! -disse Tornado abrindo os braços, fechando os punhos de forma a absorver o ar ao seu redor, lançando uma mão à frente e correndo para Raios Estáticos ao dizer:
-Metralhadora de Socos do Ar!
Tornado saltou um carro usando outro como apoio, aproximou-se de Raios Estáticos e lançou tantos socos no ar em alta velocidade que nem o vilão os conseguiu ver. Crosby vibrou ao ver Raios Estáticos ser metralhado por dezenas de socos aparentemente invisíveis. Dora ficou boquiaberta e seu único pensamento era “Vença por todos nós!”.
Raios Estáticos foi lançado sobre a coluna lateral de um prédio pequeno abalando a estrutura, mas não derrubando-a. Tornado sabia que o inimigo não desistiria, mesmo diante da quantidade imensa de ferimentos que provocara. Raios Estáticos ergueu-se como se não houvesse recebido nenhum golpe, limpou a roupa como se tivesse em uma festa elegante e focalizou o herói com olhos que pareciam lançar fogo. Dora ficou impressionada pela tensão que os dois podiam liberar no ar e sentiu pela primeira vez que seu marido romântico e aparentemente maravilhoso era apenas um homem comum, enquanto haviam outros tão poderosos e especiais. Crosby sorria com uma felicidade incomum a um mendigo e até isso Dora achou impressionante. Tornado e Raios Estáticos encontraram-se novamente em uma troca de ataques e defesas consistindo no uso de socos, chutes e pontapés, mas sem qualquer efeito maior em qualquer dos usuários. A única coisa que os dois fizeram foi deixar a platéia ainda mais nervosa pelo resultado do combate. Tornado arriscou um soco no estomago, mas Raios Estáticos mudou de lado para desviar, então socou o rosto e o peito do herói que cambaleou. Tornado revidou com um chute frontal no peito do vilão que coçou a área atingida. Tornado agachou rapidamente e provocou uma rasteira, mas Raios Estáticos se salvou da queda utilizando as duas mãos e plantando bananeira. Tornado planejou lançar uma onda de vento, mas Raios Estáticos gritou ao abrir as mãos e juntar as garras:
-Onda Estática Convulsiva!
Tornado recebeu uma onda de choque na cor violeta que percorreu todo seu corpo e o lançou a vários metros pela rua. Raios Estáticos respirou fundo como se a luta tivesse terminado. Tornado caiu perto de Crosby e de Dora que se aproximaram para vê-lo. Tornado não podia sentir seu corpo e por um momento pensou que só existia seus olhos. Crosby gritou desesperado:
-Por favor não morra! Assim não!
-É. Fique vivo... -disse Dora timidamente, mas seu coração explodiu com uma idéia e gritou com toda a força dos pulmões:
-Me dê esperança!
Tornado acordou com as palavras de Dora e conseguiu fazer o ar que antes mal podia sentir graças a ação paralisante da Onda Estática Convulsiva o rodear em alta velocidade e diminuindo os efeitos do golpe. Tornado ergueu-se, mas um de seus braços e parte do tronco estavam sob o domínio violeta de Raios Estáticos. Dora ajoelhou-se e começou a chorar. Crosby tentou conforta-la com pequenos tapinhas. Tornado agradeceu com um aceno de cabeça e caminhou para Raios Estáticos que sorriu ao ver as fraquezas impostas ao herói.