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sábado, 23 de abril de 2011

Capitulo 15: Promessa cumprida




Capitulo 15: Promessa cumprida

Um homem de roupa vermelha salta por uma janela carregando uma criança em seus braços. Ele, um herói da cidade de San Cristo conhecido como Mão de Fogo. Ela, uma jovem que fora raptada de nome Eloíse. Mão de Fogo prometeu levar a criança até sua mãe, no entanto, teve diversos problemas combatendo alguns vilões antes de poder encontra-la. E só conseguiu salva-la das garras de um velho asqueroso e pedófilo com ajuda de outro herói chamado Tornado. Nesse momento, Mão de Fogo caminha com dificuldade por uma larga rua levando Eloíse pelo braço. Seu corpo muito ferido não para de lançar gotas de sangue ao asfalto. Eloíse preocupada com seu herói teme por sua morte. Mão de Fogo procurou tranquiliza-la dizendo que tudo ficaria bem. Mão de Fogo pensou “Não imagino como posso levar esta criança até sua mãe se nem mais consigo dar um salto. Minhas forças se esvaem e sinto meus sentidos se perderem a cada segundo... Parece que não terei escolha senão chama-los aqui...
Mão de Fogo retirou um anel com um vidro violeta na ponta e apontou para os céus. Eloíse ficou admirada da luz violeta que saiu do vidro iluminando o céu escuro da cidade. Ao lado das estrelas grande parte da cidade pôde observar um sinal que já os encheu de esperança e espirito de união no passado. Era o símbolo do heroísmo e da coragem de alguns cidadãos que agora era raramente visto. A cor violeta nos céus demonstrando a imagem de uma águia que abria suas asas para cidade, o símbolo do grupo denominado como Guardiões da Liberdade. Mão de Fogo lançou o sinal na esperança de que um grupo de antigos guardiões chamados de Curadores viessem salva-lo de sua dor e levar a jovem Eloíse de volta para casa. Sua ação continha um grande risco para os dois também, pois todo e qualquer vilão inimigo dos guardiões reconheceria o símbolo e viria atrás do herói seja ele qual fosse e em seu estado de saúde precário, o Mão de Fogo, nada poderia fazer.
Eloíse abraçou a perna de Mão de Fogo, pois ouviu um som ao longe. Mão de Fogo temeu se tratar de um vilão, porém, pensou “Caso um inimigo apareça, lutarei com toda pouca força que me resta para salvar a criança...” Mas para surpresa dos dois, um carro popular saiu em alta velocidade da escuridão e parou a poucos metros. Mão de Fogo estranhou o fato de ninguém sair do carro, procurou em seu interior a sua capacidade de gerar calor em sua mão direita e daí lançar fogo. Eloíse apertou ainda mais sua perna com medo do recém-chegado. Mão de Fogo em seu estado sentia cada aperto por menor
que fosse como uma dor lancinante. Um homem bem vestido saiu do carro e acenou para os dois animadamente. Mão de Fogo demorou para reconhecer a pessoa, franziu o cenho sob sua máscara e disse:
-Detetive?!
-Isso mesmo Mão de Fogo! Vai ficar parado aí sangrando ou vai entrar no meu carro. Apesar de que faz pouco tempo que mandei limpa-lo. -disse o detetive Hudson Carlton que estava a procura do herói.
Eloíse ao notar que Mão de Fogo conhecia o moço largou sua perna e ficou olhando os dois se olharem. Mão de Fogo caminhou com dificuldade e colocou Eloíse no carro. Hudson manteve um sorriso leve nos lábios de modo a acalmar a menina. Mão de Fogo entrou e Hudson foi rápido em dar a partida e correr pelas ruas do assombrado Quarto Distrito da cidade. Mão de Fogo se perguntou como uma pessoa comum como o detetive Hudson Carlton pôde ser o primeiro a atender seu chamado. O detetive pelo retrovisor do meio observou a expressão incrédula do herói e comentou:
-Parece intrigado com minha vinda. Pensei ter solicitado uma ajuda!
-Sim...Mas não esperava... você! -disse Mão de Fogo agonizando com a dor de suas feridas. Eloíse arregalou seus olhos de preocupação e tocou de leve o tronco de seu herói. Hudson aumentou a velocidade do carro para poder sair do Quarto Distrito, principalmente por julgar ter ouvido uma explosão ao longe. Mão de Fogo sabia que a explosão era da luta entre o herói Tornado, seu amigo e aliado, contra o vilão “Raios Estáticos”. Eloíse olhou para trás para ver se conseguia visualizar o herói de roupa verde, mas ficou decepcionada. Mão de Fogo sorriu ante a coragem da menina, por tudo que ela tinha passado e por se manter sem chorar até aquele momento.
-Preciso que me leve... ao Segundo Distrito para casa... dessa jovem. Aqui um papel com o endereço... -disse Mão de Fogo passando o papel com dificuldade sentindo seu braço arder por ergue-lo.
-Não será melhor leva-lo aos Curadores primeiro? -disse Hudson pegando o papel sem tirar os olhos do trânsito, pois entraram em uma rua movimentada.
-Não! Os Curadores... não aceitam pessoas que não sejam... heróis! -comentou Mão de Fogo olhando para Eloíse com preocupação. Eloíse não podia ver os olhos de seu herói, mas pôde sentir sua intensidade através de sua máscara.
-Os Curadores certamente abririam uma exceção, como abriram...
-Você é um herói também.
Hudson arregalou os olhos ante a noticia de que era um herói, pois até então pelo que sabia não passava de um conhecido detetive da cidade. Mão de Fogo confirmou com a cabeça o espanto causado por sua frase. Hudson respirou aliviado e com seus olhos mandou um agradecimento pelo reconhecimento. Eloíse sorriu ante o ar de paz que ficou dentro do carro popular.
-Não demorarei a chegar no local que deseja. Esse carro pode ser popular, mas cumpre o que diz quando se trata de velocidade.
-Moço? Oh moço? -pediu Eloíse.
-Sim! -disse Hudson prontamente.
-Meu herói vai ficar bem? Diz que ele vai ficar bem?
-Ficarei bem Eloíse! Não se preocupe... -disse Mão de Fogo cobrindo a boca, pois pareceu que ia tossir sangue. Pensou “Meus poderes de manipular o calor estão diminuindo. Logo não poderei mais conter o sangramento e aí terei poucos minutos de vida. Mas não posso deixar essas pessoas que se preocupam comigo saberem...
Eloíse começou a rezar com as mãos unidas. Hudson achou o gesto admirável, pois cada vez mais vinha pensando que Deus havia abandonado aquela cidade. Mão de Fogo encostou-se a poltrona para ficar mais confortável. Hudson começou:
-Mão de Fogo! Eu preciso de sua ajuda com uma coisa. Na verdade é um pedido de uma pessoa.
-O que é?
-Uma jovem mulher foi ao meu escritório para dizer que faria tudo para encontra-lo somente uma vez. Ela sofreu tanto na vida coitada que não pude recusar e por isso fui o primeiro acha-lo esta noite. Preciso que a encontre...
-Minha resposta é não!
-Mas?
-Eu disse não detetive! -disse Mão de Fogo abrindo os olhos rapidamente para depois fecha-los devido ao cansaço.
-Não entendo como um herói se mata a ponto de salvar uma criança e não realiza um inocente desejo de encontrar uma mulher a quem já salvou. Acredito que ela seja sua fã e sei, pois ela mesma contou, que você a salvou outro dia de dois caras que tentaram pega-la. -disse Hudson.
-Um herói que se preze dispensa agradecimentos.
-Nossa! Bem que me disseram que seria difícil conversar com você. -comentou Hudson.
-Por favor? -disse Eloíse interrompendo a conversa.
Mão de Fogo olhou-a calmamente e percebeu suas mãos unidas como se fosse rezar, seus olhos chorosos como se lhe pesasse uma grande tristeza e ao mesmo tempo mantinham o fogo da esperança. Hudson adentrou furiosamente o Segundo Distrito e já tinha uma vaga idéia de quem a jovem Eloíse era filha. Bem provável que fosse filha de uma famosa bióloga de uma família tradicional e antiga da cidade. Mão de Fogo disse para Hudson:
-Encontrarei a jovem que fala... mas farei isso por causa dessa menina...
Eloíse sorriu e praticamente pulou no pescoço do herói ignorando seus ferimentos. Mão de Fogo já tinha se esquecido do calor humano e gostou de saber que ainda existia inocência e bondade em uma pessoa. Hudson sentiu que parte de sua missão estava cumprida, então perguntou:
-Por acaso você tem visto o vilão Lançador de Adagas?
-Morto pelos Extremos.
Hudson ficou pasmo, pois sabia que ele era a melhor chance de conseguir tirar o importante doutor Marrou da cadeia. Mão de Fogo conhecia a história tão bem quanto o detetive e para tranquiliza-lo disse:
-Esqueça o Lançador de Adagas... Procure algum dos Extremos, pois com certeza estão envolvidos... Eles me deixaram assim.
-Quais deles? -perguntou Hudson.
-Fogo Grego, Cortador e Albatroz. Os três fugiram, mas graças a eles achei Eloíse.
-Pena que teve de pagar um alto preço pela informação.
-Há penas que valem o esforço de serem cumpridas. Assim como algumas promessas... -comentou Mão de Fogo.
-Quando tiver em melhor estado e puder procurar a minha cliente venha falar comigo no...
-No seu escritório! É, eu sei. -disse o herói de roupa vermelha.
-Chegamos! -disse Hudson parando o carro abruptamente.
A casa de Eloíse está rodeada de carros de polícia e oficiais caminham para todos os lados. O carro de Hudson chamou a atenção de todos pela forma como chegou. A mãe de Eloíse, Fabiana, pensou ter ouvido um grito de criança, então foi abrindo caminho entre os curiosos. Eloíse pulou do carro esquecendo o Mão de Fogo. Hudson foi verificar o estado do herói. Eloíse correu para os braços da mãe quando conseguiu visualiza-la. Fabiana abraçou-a e carregou aos céus girando em uma pequena valsa. Os policiais pularam de alegria, alguns curiosos começaram a derramar lágrimas de felicidade, alguns familiares de Eloíse chegaram perto das duas e tocaram os cabelos da jovem. Hudson retirou Mão de Fogo do carro. Os policiais ao reconhecerem o herói levaram as mãos as suas armas. Hudson ficou à frente temendo que eles começassem um ataque. Fabiana e Eloíse choravam de alegria enquanto a tensão chegava ao limite. Alguns oficiais perceberam as feridas e o sangue em Mão de Fogo e deixaram suas armas. Hudson disse em voz alta para todos:
-Este homem e herói salvou esta criança. Peço que deixem ele ir.
-Mas ele é um procurado da justiça detetive Carlton! -disse um oficial de bigode.
-O certo seria prendermos ele enquanto está assim fraco. -comentou outro.
-Não! -gritou Fabiana parando alguns policiais mais ousados.
Mão de Fogo já tinha relaxado com a missão cumprida e seu corpo parecia mais morto do que vivo. Hudson o mantinha de pé com dificuldade. Fabiana aproximou-se e apertou a mão de Mão de Fogo dizendo:
-Eu não tenho palavras para lhe agradecer o que fez por mim e por minha filha.
-Mãe! Ele é meu herói! -disse Eloíse.
-Ainda querem prender esse homem? -disse Hudson ameaçadoramente.
-Não hoje detetive. Hoje ele merece uma chance. -comentou o policial de bigode.
Fabiana e Eloíse abraçaram Mão de Fogo que se sentiu vivo de novo, seu corpo pareceu ganhar vida nova com aquele calor humano e gentil. Todos resolveram se aproximar para se unirem ao herói e as duas mulheres. Hudson se afastou um pouco para ver a sujeira no banco de trás deixada pelo herói e viu que este havia perdido uma quantidade considerável de sangue. Mão de Fogo sentiu uma presença estranha ao redor do local e parou de sentir o bom calor trazido pelas pessoas a seu lado. Um conjunto de explosões começaram a acontecer não muito distante da casa e os policiais correram para ver. A vontade de servir e proteger falou mais alto que a festa e o calor humano. Mão de Fogo afastou Fabiana e Eloíse carinhosamente. Fabiana o agarrou e o beijou na boca. Eloíse ficou impressionada e ao mesmo tempo feliz. Hudson saiu do carro e se deparou com a romântica cena não sabendo se ficava feliz ou triste, pois lembrou da jovem Glória Glen, uma apaixonada pelo Mão de Fogo. Fabiana queria continuar beijando o herói que retribuiu seu beijo com gentileza, mas este desapareceu diante de seus olhos. Hudson sentiu um vulto aparecer e desaparecer de repente. Os policiais voltaram correndo e encontraram Fabiana, Eloíse e Hudson abismados com o sumiço do herói.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Capitulo 9: O Padrasto e a Perda da Alma




Capitulo 9: O Padrasto e a Perda da Alma

O detetive Hudson Carlton em seu escritório na cidade de San Cristo observa sua nova e misteriosa cliente que procurou seus serviços com um pedido bastante incomum. Seu desejo, é encontrar um dos famosos heróis que protegem a cidade, seu nome, é Mão de Fogo. Um homem perigoso, conhecido por usar de grande violência contra os degenerados e bandidos da cidade, sendo que para isso utiliza sua habilidade especial de criar chamas de sua mão direita. A jovem de cabelos loiros sentada à frente toma fôlego para explicar o seu grande interesse pelo herói, mas já sabia que ele a tinha salvo a alguns dias de dois bandidos que procuravam violenta-la. A mulher que se identificou como Gloria Glen com a cabeça baixa começou seu monólogo:
[ Detetive, minha história começa por volta dos meus 13 anos de idade quando meu pai, que era um grande piloto morreu em um acidente aéreo. Com isso, minha mãe entrou rapidamente em depressão e passou a beber todas as noites pensando em tê-lo de volta. Eu tentei me resignar para protegê-la, mas não era tão forte e acabei caindo no choro e me escondendo no quarto, dos amigos e finalmente, da vida. Mas quando as esperanças já pareciam perdidas, minha mãe conheceu um homem num bar e se apaixonou. Ele depois confessou ter se interessado por ela graças ao grande cuidado que tinha para com ela, o que ele dizia ser um “verdadeiro amor de filha para mãe”. Ele conseguiu uma transformação que eu nunca conseguiria. Fez ela largar a bebida e voltar a trabalhar como se o acidente com meu pai nunca tivesse acontecido. Eu comecei a acreditar que as coisas voltariam a seus lugares e que eu poderia ser feliz. Só que eu...]
-Calma! Se quiser pode parar um pouco. -comentou Hudson.
-Não! Preciso ir até o final e ser corajosa como ele...
-Como o Mão de Fogo? -inquiriu Hudson.
-É. -disse Gloria timidamente.
-Não há como ser como esses heróis! Eles são criaturas especiais que possuem habilidades também especiais para protegê-los dos perigos que enfrentam. Nós, somos meros mortais que por muitas vezes também podemos fazer alguma diferença. No entanto, nunca igual a eles. -aconselhou Hudson.
-Você é um homem realmente inteligente detetive. Um filósofo talvez.
-Mais ou menos isso. -disse Hudson sorrindo.
-Muito bem! Voltando... [Eu sequer podia imaginar o que estava por vir. Esse homem casou com minha mãe e tudo correu bem por um tempo. Mas depois de alguns meses, ele passou a me visitar em meu quarto e... Eu... Me desculpe! Ainda é difícil falar sobre isso... Ele entrava em meu quarto quando minha mãe não estava e fazia o que queria. Me ameaçava dizendo que se ele rompesse com ela. Ela entraria novamente em depressão e isso a levaria ao suicídio. Eu não.. Não pude aguentar a idéia dela morrer e por isso fiz tudo que ele pedia.
Eu larguei tudo que me era importante, deixei de ser estudiosa, abandonei amigos, e isso... Tudo isso... para que minha mãe fosse feliz. Só que um dia eu simplesmente cansei de ser um objeto e revelei tudo a minha mãe. Sabe o que ela fez?... Me expulsou de casa como se fosse lixo. Eu corri para casa de meus tios e fiquei morando um tempo lá, até que minha mãe e meu padrasto apareceram. Ele a convenceu de que eu só precisava de mais atenção dos dois. Eu chorei tanto nesse dia... Não gosto nem de lembrar. Só que me recusei a voltar de qualquer jeito, com isso estava começando a odiar minha própria mãe. Meus tios me aconselharam a abandonar o ódio, perdoa-la e deixar as brigas de lado. Foi aí que eu cometi um erro...]
Glória começou a chorar convulsivamente. Hudson imediatamente lhe deu um lenço.
-Obrigado! -disse Gloria.
[… Eu contei a meus tios que vinha sendo violentada a mais de um ano. Eles ficaram furiosos e ligaram para polícia. Eu pedi que não fizessem isso, pois temia por minha mãe ainda. Os policiais chegaram e a investigação começou, mas não encontraram nada contra meu padrasto, pois seus antecendentes eram impecáveis e eu apenas uma menina que ia mal na escola e sem amigos. Minha mãe ficou do lado dele e disse “Ela só está com ciúme da gente”, e completou “Com o pai dela era a mesma coisa!”... Eu fiquei sem chão com essa declaração. Meu padrasto continuou a me perseguir, dizia-se apaixonado por minha beleza. Então... Ele fez outra crueldade. Provocou um acidente que matou minha tia e depois me contou. Ameaçou que minha mãe e meu tio seriam os próximos se eu não me submetesse... Eu era uma criança ainda, tinha só 14 para 15 anos... Eu chorei por dias com isso me sentindo culpada pela morte de minha tia e sua imagem não me saía da cabeça. Com isso, resolvi me entregar de vez para ele quando quisesse e aonde quisesse.]
Hudson arregalou os olhos pensando na crueldade dos fatos e em como esse homem merecia uma justiça derradeira.
[Minha vida já era ruim, mas se tornou um tormento só. Passou quase um ano para eu me libertar de vez, pois comecei os preparativos para entrar numa faculdade. Meu padrasto arranjou outras meninas mais novas para se divertir nesse meio tempo também, depois que viu que parei de resistir. Minha mãe um dia... encontrou ele e duas garotas na cama... A reação dela... Ela se matou gritando “Você só precisava de mim, eu te amo”... Meu tio correu com os advogados e conseguiu colocar meu padrasto finalmente na cadeia. Eu nunca tinha me sentido tão aliviada. Logo depois, entrei na faculdade. Meu tio ficou super feliz! Ele tinha planos para mim que nem eu conseguia imaginar, talvez quisesse reparar um possível erro de não ter feito nada antes contra meu padrasto. Só que minha alegria só durou dois anos, pois meu padrasto fugiu da cadeia e passou a me fazer ligações ameaçadoras... Com isso, um jovem da faculdade se aproximou de mim, eu em minha carência de afeto me entreguei de corpo e alma para ele. Não importava se era pena que ele sentia, só queria ter alguém que me amasse. Meu padrasto mandou um pistoleiro matar meu tio, só que Deus interferiu dessa vez e meu tio ficou apenas paraplégico. Meu padrasto sumiu depois disso.]
Hudson tentou manter a calma, mas seus punhos não conseguiram deixar de se juntar ao saber que um bandido fugiu da justiça e estava impune. Gloria respirou fundo e continuou:
[Eu me sentia bem apesar do que acontecera com meu tio. Meu namorado parecia ser uma pessoa boa, mas logo descobri que era apenas motivo de aposta. Uma aposta idiota sobre me levar para cama. Depois que ele conseguiu isso, pois ainda tinha medo depois de tudo que meu padrasto me fez, me deixou na cama e nunca mais falou comigo. Ele apenas me olhava com cara de nojo e a aposta correu como uma bomba na faculdade, logo todos passaram a me olhar com nojo e desconfiança, mesmo tendo minha história cruel aberta ao público. Uns poucos sentiam pena, mas sempre era carregada com inteira repugnância... Depois disso eu não consegui me relacionar mais com nenhum homem...]
-E para completar sua história, aqueles bandidos a atacaram daquele jeito.
-Não só isso. Além disso, eu via rostos nas janelas dos prédios ao lado, mas ninguém fazia nada, apenas me deixavam sofrer...
-Realmente senhorita Glen, eu lamento por sua vida ter tomado esse rumo tão triste. Nem tenho palavras para consola-la...
-Não é consolo que preciso detetive! Preciso encontrar o Mão de Fogo!
-Claro! Já me disse isso. Mas mesmo com sua história não pude clarear o porquê?
-Quando aqueles bandidos estavam prestes a me possuir. Talvez possuir o pouco que restava de minha alma. Ele apareceu e me salvou. Tão quente e humano de uma forma que sempre sonhei e preciso encontra-lo nem que seja para vê-lo ou agradecer por salvar minha vida, não, minha alma!
-Nossa! Bem profundo seu pedido. -comentou Hudson.
-Mostra que é sincero. -disse Gloria.
-Seus olhos tímidos e chorosos denunciam que é. -disse Hudson erguendo-se. -Só posso lhe assegurar que irei fazer o possível para localiza-lo. Mas lhe adianto que as chances de poder falar com ele são pequenas...
-Não importa detetive! Só quero uma chance! Preciso dessa chance! -disse Gloria levantando. O detetive apertou sua mão e a jovem loira saiu pela porta com passos leves. Hudson desabou na cadeira pensando “Que história triste! É uma pena não poder fazer mais por ela. Logo agora, que também tenho de procurar um vilão, terei de também procurar um herói. Assim eu enlouqueço! Mas a justiça e meu trabalho precisam ser feitos!

domingo, 6 de março de 2011

Capítulo 8: O Pedido e a Importância




Capítulo 8: O Pedido e a Importância.

Uma cortina se abre e um Sol ensolarado adentra o escritório de um imponente e inteligente detetive. Seus olhos admiram a força da estrela como se a ela um pedido fizesse. Seu corpo banhado pela luz também sente a força do vento que o carrega para pensamentos que o preenchem de pura liberdade. Sua mente cai no vazio do que podemos considerar a plena paz, ela se esvai para lugares profundos e insondavéis por milésimos de segundo até ouvir um forte grito que ecoa na rua abaixo. Uma mulher sendo agarrada por dois homens, um está com uma faca e outro segura os braços da donzela. O detetive respira fundo e sai de sua meditação, saca a pistola em sua cintura da onde raramente ela sai, senão para ser mortal. Os homens felizes com sua caçada pressionam a mulher contra parede de uma movimentada rua sem nada para se importar, mas o detetive ia mostra-los que em sua terra, mesmo que cheia de injustiça, ainda havia um homem disposto a fazer o que é certo. Observou dois policiais comendo suas matinais rosquinhas que os deixavam tão obesos que poderiam cair ao correr. Os bandidos olharam para os policiais por um momento, mas riram ao verem que eles nada fariam, a mulher implorou por ajuda, mas seus gritos sumiam parecendo que eram sugados pelo calor impiedoso do Sol.
Hudson Carlton ergueu sua pistola, dois projetéis atravessaram a rua em alta velocidade carregados pela luz do Sol e invisivéis aos olhos humanos, caminhando para justiça mais do que certa e tardia de acontecer. Os bandidos planejavam fazer algo mais do que roubar ao ver as pernas da mulher, ela pressentiu a intenção e gritou fortemente, mas calou-se ao ver uma poça de sangue diante de seu olhar. O bandido com a faca encontrou o muro com o impacto e sua cabeça pareceu deslocar sem fazer qualquer ruído, o outro deitado em uma poça de sangue ainda conservou seu sorriso de maldade. A mulher voltou a gritar abismada pelo sangue e pelo medo, temendo ser a próxima vítima de uma violência que vem crescendo sem ninguém para dete-la. O detetive apenas fechou a cortina e sentou em sua acolchoada cadeira, depois pegou um maço de cartas de baralho e as ficou folheando. Uma mulher surgiu das sombras com uma imperiosa voz:
-Bom trabalho!
-Ora! Quem é você? Como entrou aqui?
-Fique calmo detetive. Não vim aqui mata-lo. Imagino que ultimamente sua vida está muito atribulada graças ao caso do doutor Marrou. -comentou a mulher revelando uma face coberta por uma máscara rubra e cabelos azulados misturados a cor lilás.
-Então é você! A Bruxa que protege o bairro das mulheres. Não sei se posso dizer que é um prazer vê-la. -comentou Hudson com um sorriso sarcástico.
-Você é bem confiante para alguém que só sabe manejar pistolas.
-Só preciso delas.
-Muito bem! Vim aqui dar um recado de um amigo que está muito ferido nesse momento e não pôde ele mesmo vir falar contigo.
-Pois fale. Estou ouvindo.
-O Jurado informa que a pessoa que eliminou a esposa do doutor Marrou foi o mercenário conhecido como Lançador de Adagas. Ele e o Ceifador foram contatados por alguém para fazer isso.
-Não só eles, pois fui atacado pelo Bola de Ferro recentemente. Com isso já são três mercenários perigosos. -comentou Hudson.
-Hum! Sua vida está correndo um grande risco então. Mas não se preocupe com o Ceifador, pois ele está bem ferido graças ao Jurado e a mim. Apenas procure o Lançador de Adagas, pois ele sabe quem é o mandante.
-Sei fazer meu trabalho mulher!
-Calma! Não quis ofendê-lo!... Mas se falasse comigo assim em meu território iria receber uma lição. -disse a Bruxa ameaçadoramente.
-Uau! E depois me pede calma. Mas o Jurado vai ficar bem?
-Não se preocupe com ele. Ele é forte... -disse Bruxa sentindo sua voz falhar.
-Hum! Já entendi. -disse Hudson com um sorriso malicioso.
-Quieto! Você não precisa entender nada! -disse Bruxa, mas Hudson não retirou o sorriso malicioso.
-Já disse o que precisava, então posso pedir que se retire? -perguntou Hudson mirando a maçaneta da porta.
-Porquê? Isso foi muito repentino!
-Porque tenho uma cliente...
-Já entendi! -disse Bruxa correndo para janela e a saltando como se a altura não a preocupasse. Hudson voltou a brincar com as cartas enquanto a porta se abria revelando os cabelos loiros longos de uma mulher e seus olhos esverdeados.
-Pode entrar. -disse Hudson com uma das mãos abertas convidativo.
-Vim procurar seus serviços senhor Carlton...
-Opa! Pode esquecer o senhor, pois não sou tão velho. -disse Hudson.
-Certo.
-Sente-se. Relaxe e conte sua história. -disse Hudson sorrindo.
-Obrigado. -disse a mulher sentando timidamente. -Vim procura-lo, pois quero que encontre uma pessoa para mim. Uma pessoa que deu um novo sentido para minha vida e realmente... preciso encontra-la.
-Calma! Me fale como é essa pessoa e onde a viu pela última vez?
-Espero que não ria de mim, mas a pessoa a quem procuro é muito especial. Não só pra mim, mas para muita gente. -disse a mulher baixando a vista e ficando envergonhada. Hudson começou a entender que tipo de pessoa a mulher procurava, mas não queria perder a surpresa.
-É um famoso herói dessa cidade... Seu nome é Mão de Fogo! -disse a mulher hesitando diante das reticências.
-Nossa! Me pegou de surpresa. Eu imaginava que podia ser um herói, mas não esse. Muito famoso por sua violência. Lembro que recentemente ele incinerou duas pessoas...
-Mas!... Foi para me salvar... -disse a jovem diminuindo sua voz aos poucos.
-Não me entenda mal. Eu não o recrimino por retirar alguns sujos das ruas, mas acho seus métodos um tanto cruéis.
-Só que eu o amo! Não consegue entender isso! -disse a jovem explodindo dessa vez em um grito. Hudson quase caiu de sua cadeira com o movimento inesperado.
-Mas sabe que mesmo que eu o encontre. Acho dificil que ele queira encontra-la ou até falar contigo. Os heróis costumam ser ocupados demais para suas fãs. -disse Hudson com grande sarcasmo no tom de voz. A mulher sentiu o deboche e ficou emburrada olhando diretamente os olhos do detetive de uma forma fria e violenta. Hudson pensou “Nunca deveria debochar de uma mulher apaixonada!”.
-Se não quiser me ajudar a encontra-lo. Encontrarei alguém que faça... -disse a mulher erguendo-se.
-Calma garota! Me diga seu nome primeiro e o motivo de querer tanto encontra-lo, sabendo que ele é um herói e a salvou apenas pela necessidade.
A jovem de cabelos loiros voltou a sentar e uniu suas mãos sobre a coxa.
-Eu me chamo Glória Glen. E para que você consiga compreender porque quero, melhor dizendo, porque preciso encontra-lo. Vou ter de te contar a história de minha vida até este momento. Não demorarei...
-Ei! Demore o tempo que quiser. A história da vida de alguém é algo que requer toda atenção de uma pessoa. -comentou Hudson.
-Muito bem detetive. Espero não fazê-lo chorar, deixa-lo triste, com pena ou algo que possa impedir sua futura missão para comigo.
-Procurarei fazer o que me pede.
A jovem mostrou um pequeno sorriso, respirou fundo e baixou a cabeça.


FIM

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Detetive



Capítulo 3: O Detetive

Hudson Carlton olha pela janela de seu imponente escritório na principal avenida do Segundo Distrito da grande cidade de San Cristo. As pessoas caminham apressadamente para mais um dia de trabalho. O dia ensolarado sem qualquer presença de nuvens aumenta as expectativas dos cidadões. Um homem com um charuto na boca encostado numa esquina se vira para uma mulher de cabelos longos pretos caminhando de forma imperiosa em seu sobretudo bege. O homem sorri com dentes amarelados e a mulher percebe sua malévola intenção ao notar que este pousava languidamente seus olhos negros da cor da escuridão em sua bolsa. A mulher pensou em correr, seus pés demonstraram isso em um pequeno tropeço, mas o homem foi mais rápido e afanou a bolsa como se nada mais importasse na vida. A mulher gritou por um policial, porém não havia nenhum na avenida. As pessoas assustadas abriram caminho para o bandido. Hudson puxou um objeto metálico de seu bolso direito, o ergueu lentamente a vista de seus olhos, sincronizou seus pensamentos com o movimento do bandido ao longe. A mulher gritou novamente dizendo que tinha fotos importantes de família na bolsa e perguntou aos céus se ninguém se importava. Hudson gritou mentalmente “Cala a boca mulher! Já estou começando a me arrepender do que estou prestes a fazer”. O bandido satisfeito com seu ganho já imaginava seu próximo passo, que era obviamente, vender tudo que estava na bolsa e conseguir umas pedras para um longo divertimento com sua namorada à noite. Hudson mirou o indíviduo e na luz do Sol sob a janela aparecia a alcunha cruel de um revólver. O bandido pensou nas noites com a namorada enquanto virava a esquina, em sua pele macia de menina e em seu corpo sarado de mulher, saboreou em seus lábios o momento de triunfo, para no segundo seguinte cair estatelado no chão frio do vazio do asfalto, onde todos o rodearam em segundos de inteira repugnância e aplaudiram o misterioso atirador. Hudson respirou fundo e colocou o revólver na mesa.
-Você realmente nunca muda hein meu amigo?! -disse uma voz na cadeira à frente.
-É o que você pensa Gregory? -disse Hudson sentando em sua cadeira e olhando fixamente os olhos negros de seu colega.
-Acho que sua essência principal é a justiça! Você sempre acha que é possível faze-la e nem sempre pensa nas consequências. -comentou Gregory.
-Hum! Agora estou levando lição de moral de um fotográfo beberrão! -disse Hudson dando uma gargalhada.
-É excelente te ver rir meu amigo. -disse Gregory piscando um olho.
-Acho que só você consegue me fazer rir assim.
-Aliás, falando de amizade e felicidade. Você me faria muito feliz me emprestando aquela quantia novamente. -comentou Gregory.
-Nossa! Já está querendo me extorquir! -disse Hudson abrindo as mãos.
-Que é isso amigo! Lembre-se sempre da nossa inesgotável amizade.
-Ah sim! E como fica meu não inesgotável dinheiro.
-Nossa! Que pão-duro! Sei que você está naquele caso do doutor Marrou. E ele é um dos homens mais ricos da cidade. -disse Gregory com ar malicioso.
-Como sabe disso?
-Ah cara! Eu sou um homem informado, apesar de fotográfo beberrão! -disse Gregory apertando a vista.
-Nem me olhe assim. Só fui realista. -disse Hudson olhando para o lado com um sorriso nos lábios. Gregory ficou levemente emburrado, porém, continuou:
-Soube disso dos meus contatos no Quarto Distrito.
-Claro! O porão e o inferno da cidade! -exclamou Hudson.
-Sabe-se de tudo por lá e como sou um frequentador assíduo...
-Gastando meu pobre dinheiro em vadiagens! -cortou Hudson.
-Ah não! Não faria isso com a grana de um amigo. O dinheiro que uso lá é meu e de minhas fotos. -disse Gregory sem inspirar confiança.
-Sei...
-Mas o que apurou do caso hein?
-Seu interesse até me anima, mas sei que não vai entender nada mesmo. -comentou Hudson e Gregory ficou novamente emburrado.
-O doutor Marrou aparentemente matou a esposa como os jornais fizeram tanta questão de alardear. Mas sei por pequenos detalhes que o doutor nada tem a ver com o assassinato em questão. Apesar de ser encontrado dentro de casa em seu quarto e sua mulher morta na sala, ele nada sabe do ocorrido. Acredito que um mercenário foi pago para mata-la segundo informações que obtive ontem.
-Já sabe quem é o cara?
-Não. Mas tenho uma idéia de como posso encontra-lo. -disse Hudson com ar misterioso e fazendo Gregory ficar pasmo.
-Terei de fazer uma visita a um velho conhecido esta noite.
-E posso ir junto?
-É claro que não!
-Depois dessa é melhor eu ir me saindo. -disse Gregory erguendo-se e dando um adeus com as mãos. Hudson ficou aliviado de não perder mais algumas notas em sua carteira e pensou: “Estou salvo por hoje pelo menos”.

Logo mais à noite, Hudson caminha pelas ruas do Terceiro Distrito, onde busca encontrar um velho amigo. Ao passar pelas calçadas observa a podridão que se espalhou nas últimas décadas na próspera cidade de San Cristo. Cidade construída para ser modelo entre as idéias comunistas e capitalistas oriundas da Guerra Fria. Hudson pensou no passado e em como se divertia nas ruas da cidade quase sem problemas, onde havia heróis famosos que cobriam vários pontos da cidade e os bandidos procuravam sempre fugir. A situação está começando a se inverter, onde os heróis se escondem em bairros menores e lutam no dia-a-dia contra a escuridão que adentra os corações dos homens.
O objetivo de Hudson é o Bar da Princesa, onde costumam se encontrar várias personalidades da cidade, incluindo a pessoa a quem procura. No entanto, sabe bem que é um local cheio de discussões e brigas, onde precisa ficar alerto a todas os movimentos. Segundo casos anteriores que resolveu, as chances de encontrar uma informação ou um informante pelo Bar são de 70%. Os gangsters e alguns heróis aparecem por lá para se divertirem e tomarem seus drinques, mas Hudson quase sempre vai a negócios. É um terreno neutro para conversas e acordos graças a interferência de seu mentor e amigo, o homem que ficou conhecido entre os anos 70 e 80 como o “Pistoleiro”.
Ao entrar no Bar, observou a grande quantidade de pessoas instaladas nas mesas fazendo jogos, acordos ou tendo conversas casuais. Era possível ver ao fundo as dançarinas de cabaré mostrando seus corpos cheios do suor de mais um dia de trabalho. Algumas daquelas mulheres tinham que sustentar seus filhos pequenos ou uma família inteira, mostrando as dificuldades da cidade grande. Hudson caminhou com as mãos nos bolsos e olhando os lados para encontrar o que precisava. Seus olhos pousaram num homem encostado no balcão principal onde serviam os drinques. O homem pareceu sentir os olhos em suas costas e virou lentamente. Hudson aumentou seus passos e encarou o homem de cabelos loiros curtos e olhos verdes.
-Ora se não é meu aprendiz! Há quanto tempo que não vem ver seu mestre! -disse o homem abrindo um largo sorriso.
-Deixa de besteira que você nunca foi muito sentimental! Apesar de que é sempre bom rever um velho amigo. -disse Hudson com um leve sorriso.
-Senta aí que eu te pago um drinque. -disse o Pistoleiro fazendo um aceno com a mão para o barmen trazer dois copos.
-Como andam os negócios? -perguntou Hudson observando o barmen colocar o drinque em seu copo.
-Andam muito bem! Os lucros tem aumentado pelo porto seguro que é o meu Bar. Tudo isso graças a intervenção da minha equipe protetora. -comentou o Pistoleiro com um sorriso maldoso nos lábios e bebericando seu drinque.
-Claro! Os seus fantoches e ex-heróis também. -comentou Hudson.
-Nossa Hudson! Não fale desse jeito de seu mestre! Que coisa feia! -disse o Pistoleiro com um sorriso sarcástico e tomando outro gole.
-Mas indo direto ao assunto...
-Como sempre né! -disse o Pistoleiro novamente sorrindo e fazendo Hudson ficar levemente emburrado.
-Vim para buscar informações sobre o assassinato da esposa do doutor Marrou. Tenho sérias desconfianças de que ele não matou sua esposa, além da própria declaração dele.
-Ele não parece o tipo de cara que mataria sua esposa mesmo. Pelo que sei é um homem honrado e um pai amoroso. Conheço bem o tipo.
-Do jeito que fala parece ser algo ruim.
-Não é isso. É que me lembrou de uns sujeitos que conheci.
-Você conhece quase todo mundo por causa desse Bar. -comentou Hudson bebericando seu drinque.
-Tem razão. -disse o Pistoleiro fingindo surpresa. -Mas voltando ao assunto. O que quer de mim?
-Quero saber se tem visto o Ceifador ultimamente? -perguntou Hudson sério.
-Hum! O Ceifador. Elemento perigoso, mercenário sujo que dificilmente pode ser impedido em sua sana sanguinária. Mas faz tempo que não o vejo e acho que ele não matou a esposa do doutor. -disse o Pistoleiro com extrema confiança que não passou despercebida por Hudson:
-O porquê da certeza?
-O Ceifador está se escondendo do Jurado, por causa de um crime que ele cometeu no passado. Algo assim! E você sabe como é esse herói maluco, nunca desiste! -comentou o Pistoleiro pedindo outro drinque ao barmen.
-Se não foi o Ceifador, quem poderia ter sido em sua opinião? Já que conhece quase todos os heróis e bandidos da cidade.
-Ainda diz quase? Eu conheço todos, inclusive alguns que você nem faz idéia e isso me faz ter certa proteção.
-Hum! Sei. -comentou Hudson tomando um gole.
-Para saber algo sobre seu mercenário, preciso saber o tipo de arma? O local onde ela foi encontrada? O local onde ela foi morta? E se havia alguma passagem secreta na casa?
-A arma foi algum objeto pontudo pelo que a polícia pôde averiguar, talvez uma espada ou uma lança modificada. Ela foi encontrada na sala enquanto o doutor dormia o sono dos anjos no quarto. Aparentemente morta na sala, enquanto desceu para beber um copo de água. Isso foi comprovado pela geladeira aberta. Não existem passagem secretas na casa apesar de ser uma mansão e todas as portas foram fechadas por dentro.
-Parece claro para mim algumas coisas.
-O quê?
-Fora aqueles bandidos ou heróis com capacidade de se teleportar que são muito poucos, podemos ter a certeza de que o assassino a atacou por fora da casa de algum lugar privilegiado, talvez uma árvore ou o telhado de uma casa próxima.
-Faz sentido, mas isso eu já tinha pensado.
-Continuando: Partindo do ponto que o ataque a senhora tenha ocorrido de fora da casa e por um objeto pontiagudo. Existem poucos mercenários com a habilidade de lançar um objeto desse e o fazer voltar a sua mão, ainda mais a uma distância dessa. Pois pelo que li nos jornais foi encontrada quase no meio da casa.
-Correto. Realmente não cogitei a possibilidade de ser alguém que pudesse recuperar a arma do crime sem nem ter pisado na casa. -comentou Hudson franzindo o cenho.
-Indo por esse caminho, existem poucos mercenários na cidade que poderiam fazê-lo, excetuando os de cunho heróico. Acho que nenhum herói iria querer prejudicar o doutor, pois o único projeto que sabemos de sua participação direta é o Projeto Extremo.
-Já pensei nessa possibilidade, porém, a maioria dos vilões do Projeto Extremo estão presos e outros foragidos por causa da presença do Extremo 8.
-Esse é um herói interessante e dos meus. -disse o Pistoleiro sorrindo.
-Dessa forma preciso investigar todos com habilidades de manejar armas pontiagudas de longa distância. -comentou Hudson.
-Uma conversa com o legista poderia ajuda-lo a precisar a arma do crime.
-Já pensei nisso também. Bom mestre! Foi bom reve-lo e obrigado por sua ajuda.
-Se fosse outra pessoa, essa ajuda seria em dinheiro. -comentou o Pistoleiro rindo e fazendo Hudson rir com o movimento de mão de seu mestre sinalizando dinheiro.
Hudson apertou a mão do Pistoleiro e fez o caminho de volta para porta. O Pistoleiro continuou bebericando seu drinque, mas algo estalou em sua mente e gritou para Hudson:
-Cuidado!
Uma bola de ferro de um metro e meio de diâmetro adentrou a porta do Bar destruindo o vidro dela em milhares de estilhaços. Um campo de força na cor azul protegeu Hudson dos estilhaços enquanto este colocava os braços no rosto para evitar o choque com seus olhos. Ao acordar para realidade, viu a bola de ferro dentro do salão e uma grande movimentação dentro do Bar, onde todos buscavam refúgio. Olhou para trás e viu um homem com uma roupa composta por botas, calça e camiza azuis, onde suas botas tinham listras prateadas e por cima de sua camisa uma proteção metálica com um desenho de um escudo grego na cor azul só que em um tom mais escuro que o da roupa. O Pistoleiro observou a máscara do sujeito feita de material metálico cobrindo apenas metade do rosto, deixando a boca e o queixo.
-É melhor procurar um refúgio detetive! Meus poderes mentais não são eternos.
-É o Escudo Azul! -gritou uma dançarina agitada e escondida atrás do balcão.
-Droga! É um herói maldito! Posso matar chefe? -perguntou um bandido anão para seu chefe robusto.
-Ta maluco Quibby! Ele ta protegendo a gente agora.
-Valeu pela ajuda Escudo Azul! -disse Hudson correndo para perto do Pistoleiro que ergueu uma mesa para escapar dos estilhaços e estava reclamando com um barmen que deixou uma garrafa de um bom vinho cair no chão.
-Vamos Bola de Ferro! Eu sei que você está aí fora! -gritou Escudo Azul.
-Hum! Desgraçado Escudo Azul! Vou te matar por salvar o meu alvo.
Pistoleiro virou para Hudson que não esboçou nenhuma surpresa.
-Parece que você está sendo bem requisitado meu aluno. -disse o Pistoleiro erguendo sua pistola.
-É. E dessa vez nem sei quem quer me matar. -disse Hudson vendo o Bola de Ferro entrar pela porta destruída e pisando nos cacos de vidro com suas botas metálicas de cor preta.
-Continua com esse capacete horrível! -comentou Escudo Azul.
-Está tirando uma comigo ainda! Agora sim que vou te quebrar todinho! -disse Bola de Ferro puxando sua corrente para mais um ataque. A sua bola de ferro de um metro e meio de diâmetro está ligada a uma corrente marrom e amarrada firmemente em seu braço esquerdo. O capacete é metálico do mesmo material das botas e com a forma de um capacete de jogador de hoquéi. Escudo Azul não pôde deixar de rir com a estrutura desajeitada do gigante Bola de Ferro. Pistoleiro gritou para os dois combatentes:
-Me desculpem amigos, mas a briga de vocês tem de ser lá fora!
-Cala a boca velho! -gritou Bola de Ferro.
-Por mim tudo bem! -disse Escudo Azul abrindo as mãos e irritando ainda mais o Bola de Ferro que investiu em um novo ataque, mas sua arma foi rapidamente repelida por uma colisão com o ar. Bola de Ferro pensou ter enlouquecido ao ver o vento rebatendo seu ataque. Escudo Azul já tinha percebido a presença de outro herói no recinto e preparado para batalha, mas desconfiava da presença de outro, o que se confirmou com o aparecimento de duas pessoas fantasiadas com uma roupa prateada e outro com uma roupa azul com detalhes em branco.
-O Pistoleiro mandou vocês saírem! -disse o homem de roupa prateada.
-Vejam só, o Pulso e a Sônica trabalham pro Pistoleiro. Essa eu não sabia. -comentou Escudo Azul.
-E nem eu. -disse Hudson.
-Eu disse que tinha proteções especiais.
-Ei Bola de Ferro, eu sei que nem você é tão burro de enfrentar nós três aqui dentro. É melhor você ir embora. -disse Sônica com sua voz leve e ao mesmo tempo firme.
Bola de Ferro observou os heróis com cuidado, pensou que poderia derrubar dois deles, mas dificilmente conseguiria parar os três, além de que teria de enfrentar o Pistoleiro e o detetive também. Pulso deu alguns passos em direção ao gigante de ferro, no entanto este ergueu a mão em sinal de paz e saiu caminhando. Hudson ajudou o Pistoleiro a levantar. Sônica e Pulso balançaram a cabeça em sinal de respeito ao Pistoleiro e saíram de cena rapidamente. Escudo Azul voltou a sentar em sua cadeira no canto do Bar. As pessoas voltaram calmamente aos seus lugares.
-Emoções fortes hein?! -disse Hudson.
-Ah! Estou acostumando a ter uma dessas toda semana desde os meus vinte anos.
-Já não tem vinte anos a muito tempo Pistoleiro. -comentou Hudson.
-Nunca duvide das habilidades de um velho meu aluno e tome cuidado com esse caso, pois ele está começando a ficar perigoso demais.
Hudson assentiu com a cabeça e seguiu seu caminho passando pela porta destruída e olhando o redor para ter certeza que o Bola de Ferro cumpriu sua palavra, mas não temia um ataque, pois sabia que o Pulso e a Sônica comandavam a área. Preocupou-se apenas quando chegou a seu carro, onde pensou que o Bola de Ferro poderia estar esperando-o em casa, mas olhou para o céu e viu uma espada dourada saltando entre os prédios, então respirou fundo e entrou no carro. Pensou “Assim termina mais um longo dia de trabalho! E quê dia!”.


FIM